AMOR, ÓDIO E MUITO MAIS 18/02/2026
AMOR, ÓDIO E MUITO MAIS
Existem forças agindo sobre todos
Algumas delas, antagônicas,
Geram, entre os participantes,
Uma típica situação de interação
São o reconhecimento e a estranheza
O interesse e a repulsa, que claramente
Se entendem e têm muitos nomes
São chamadas de certo e errado
Belo e feio, bem e mal, amor e ódio
Ou, simplesmente, repulsa e atração
Todos nós nos lembramos delas
Mas há uma terceira força
Mais comum que essas duas
E que ocorre em todos os lugares
A força da indiferença
A mais destrutiva das forças
A força da estagnação, da inércia
E, por mais estranho que pareça,
Poucos são os que a percebem
A entendem, a evitam e a temem
A grande maioria das pessoas
Está muito preocupada com o amor
E ignora a terceira força
A que mais destrói, à sua maneira
Todos nós amamos e odiamos
Mesmo que isso se negue
Mesmo que sejam erros e defeitos
Amamos sempre, e amamos
O que vemos como prioridade
Aquilo a que imputamos valores
E de onde extraímos temores
Todos deixamos para trás o resto
Para focar naquilo que brilha
Nossos amores e ódios nos definem
Fazem-nos crescer e nos modelam
Retiram de nós a massa excedente
Aquilo que não queremos
E, como um escultor em gesso,
Também acrescentam ao modelo
É assim que as nossas almas
Têm seu caminho no amor e no ódio
No reconhecimento e na aversão
Fora desse foco,
longe do campo de visão,
estreito da atenção,
Existe uma imensidão.
Um todo muito maior
A que estamos adormecidos
São focos de escuridão
Aquilo que ignoramos
Por alguma ou nenhuma razão
Por nos acharmos prontos
Por ser cômodo
Por estar bom nesse momento
Ou simplesmente por acharmos
Que isso não nos importa
Com o tempo, os amores e os ódios
Se aquietam e se equilibram
Quando levantamos a cabeça,
Vemos todo o resto que perdemos
Vemos o que sobrou
Depois que o furacão
Do amor e do ódio passou
Vemos os outros e outras maravilhas
Que ficaram pelo caminho, sem atenção
Percebemos tarde que uma vida não basta
Para cumprir tantos deveres do coração
Vemos também as coisas
Que não vimos até então
Por estarmos distraídos no turbilhão
Dos deveres e das paixões
E então percebemos a terceira força
Que pesa como a gravidade
Está presente em todo lugar
É uma força diferente, ela não atrai
ela nos trai, nos traz para o vazio
Vem de toda parte e tende,
Da pior maneira, a nos juntar
junta-nos em lugar nenhum
No chão real do “tanto faz”
Tudo tem as suas razões
Seus porquês e suas consequências
Suas belezas e suas feiuras
A indiferença não é nula, só nos cega
Depois de conhecer isso,
Sabe-se o que esperar
Conhecemos os caminhos
E vemos que aquilo tudo era, no fim,
Só uma pequenina parte
Aprendemos a ver os carinhos
A desejar o desconhecido
Aprendemos respeito, sem motivo
Engraçada, essa vida da gente.
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